07 Novembro 2009

With a little help from my friends

Por Daniel Brito

Na minha primeira semana como assessor de imprensa, descobri que fui gente boa com muita gente. Sim, porque meu primeiro desafio era promover um evento meio que inusitado em Brasília. Precisava entrar em contato com jornais e TVs do DF para que eles comprassem a minha pauta.

De uma certa maneira, tomei o cuidado de telefonar para aquelas pessoas que poderiam nutrir alguma simpatia por mim. E deu resultado... Dois jornais e quatro emissoras de TV compraram. Quantidade excelente para um assessor de primeira viagem.

Boa parcela do êxito se deveu à minha amizade com a imprensa do DF. Outra parcela era por causa do evento em si.

Não estou dizendo que minha presença era mais importante que o evento, mas vida de assessor tem dessas: se os caras da redação não vão com a cara dele (assessor), adeus espaço na mídia.

Conversando com um amigo sobre isso, ele me lembrou da frase de Nilton Santos, após ser agraciado por uma das centenas de homenagens que recebeu desde que foi bicampeão mundial de futebol, em 1962: "Já pensou se eu tivesse feito m*rda?".

Se ele tivesse feito m*rda, não seria o Nilton Santos.

O grande lance da assessoria, até onde pude perceber em quatro meses na área, é a amizade, o contato mais próximo, 'o poder do algo mais e da alegria' com o pessoal da redação. Sabendo com quem você está lidando, a chance de a pauta ser veiculada aumenta em 100% em relação a uma história vendida para quem você não conhece.

Rola até uma relação de confiança.

O assessor passa uma história exclusiva ao repórter que sabe que vai dar um tratamento diferenciado ao assunto. O repórter aceita as sugestões do assessor porque sabe que o cara nào passaria qualquer baboseira para ele...

Veja o que aconteceu comigo mesmo semanas atrás.

Precisava vender uma história aos veículos de comunicação do estado X na regiào Y do país. Liguei para quatro emissoras de TV e dois jornais além de um site. Uma emissora me atendeu e me deu retorno informando que não poderia fazer a pauta por um motivo qualquer. Ok, foi honesto. Outra pediu para retornar mais tarde e nunca mais me atendeu. Duas nem sequer me transferiram para a editoria responsável. Um jornal não me atendeu, no outro, fui extremamente mal tratado e a pauta foi ignorada.

Não queria abre de página ou cinco minutos de TV. Por não conhecer o pessoal, não consegui sequer vender a pauta. Liguei sugerindo uma matéria curiosa, como quase todas que ofereço, que podia render uma foto-legenda ou uma nota-coberta, no caso das TVs. Só o site publicou. Mais por preguiça do que qualquer outra coisa, porque eles republicaram o release ipsis litteris.

Por ter trabalhado minha vida jornalística inteira dentro das redações, me preocupo em oferecer assuntos que eu mesmo poderia fazer caso um assessor me vendesse quando eu era repórter.

Semanas mais tarde - já dia desses agora - tive que viajar para o esse mesmo lugar X da região Y do país. Previ as mesmas dificuldades e busquei ajuda dos amigos. Um camarada meu, grande amigo, que atua na cidade Z, entrou em contato com um amigo de um grande jornal impresso na tal da cidade X contando quem eu era e se ele poderia me dar um help. Fui super bem atendido, tipo very important person. Outras pessoas envolvidas no evento me colocaram em contato com uma emissora de TV, que desta vez me ouviu e adorou minha sugestão. Resultado: ampla divulgação. Melhor que a encomenda.

Nem parecia a mesma cidade da primeira tentativa.

O assessor de imprensa tem que ter uma lábia maior do que um repórter na hora de vender pautas. Teoricamente, o repórter só precisa vender pauta para um chefe, que é seu editor direto. O assessor precisa acertar a pauta com o cliente, conversar com o chefe da assessoria e iniciar a venda para vários editores de vários veículos.

Às vezes você tem uma pauta super legal na mão e oferece para alguém que você tem certeza que vai dizer sim...mas ouve não! Você vai ter que gastar a mesma energia para vender a pauta para seu segundo nome na lista e assim sucessivamente até encaixar a história em algum lugar.

É um procedimento que o jornalista não tá acostumado a seguir. Já o assessor tem que estar engatilhado a todo momento. Daí a importância de conservar a boa convivência com os coleguinhas de chão de fábrica.

"Com a ajuda dos amigos" dá para ter sucesso em assessoria.

14 Outubro 2009

A escandalização da falta de notícia

Pedro Henrique Freire

A denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney, e sua família, têm fundamento. Não tivessem, o processo da Polícia Federal não teria tantas páginas. Sob censura, o Estadão teve de calar-se. Calaram-se também outros jornais. Até tinham acesso ao conteúdo sigiloso, mas não compraram a briga.

A Folha, no último domingo, comprou e voltou a carga contra a sarneyzada. E o que é notícia lá é também no Maranhão. Ai que entram em ação os reprodutores. Aqui está cheio deles. Ninguém apura nada. Todo mundo copia. Mas o histórico Jornal Pequeno (admirado e odiado por ser o 'braço armado' do antisarneísmo) vai além.

É um jornal que coloca a própria notícia como sujeito da notícia. Ou seja, além de ser reproduzida, a matéria que descreve o fato se transforma no próprio fato. Vejam o exemplo na chamada de capa desta quarta-feira:

Solidariedade ao Estadão deixa José Sarney mais encrencado

O Estado de São Paulo está sob censura prévia há mais de 70 dias. Esta arbitrariedade judicial poderia ter sido imediatamente estancada e desmoralizada se algum dos grandes jornalões brasileiros tivesse encarado os censores do Superior Tribunal de Justiça de Brasília e publicado o que faltava do relatório da Polícia Federal sobre as estripulias do clã Sarney. Os capangas do presidente do Senado – e nem o próprio – teriam a coragem de estender as sanções ao Globo e à Folha de S.Paulo. Demorou, mas aconteceu: a Folha, enfim, saiu da toca em que se abrigou desde o início de fevereiro, quando o seu dileto colaborador tornou-se o protagonista da mais aberrante coleção de escândalos da nossa história legislativa.


Entranho? No mínimo...

Para mim, são duas coisas: falta de notícia e pura ideologia perseguidora. Ocorre quando a política engole os jornais. Quando jornais desrespeitam leitores publicamente. Quando, na ânsia de gerar escândalo, se escandaliza a falta de notícia. Ou a falta de repórteres e de apreço pelo jornalismo.

Acredito no jornalismo sem causa. Ou melhor, creio no jornalismo cuja causa é próprio jornalismo. Sem aposta, confete ou meia verdade. Utopia? Tomara. Assim conseguirem persegui-lo todos os dias da vida.

Mais vale faltar uma manchete do que manter uma manchete em falta...

Humildemente...

07 Outubro 2009

A vez da editoria de esportes

Por Daniel Brito

Agora vão ter de levar a editoria de esportes a sério. Com Copa do Mundo e Olimpíada no Brasil, não tem como não investir na área.

Por muitos anos a editoria sempre foi uma das menos prestigiadas nos jornais e emissoras de TV. Os salários mais baixos, os menores níveis de exigência, o menor destaque, e a menor mobilização.

Até porque esporte pode ser a coisa mais importante entre as coisas menos importantes. O porteiro do seu prédio, o velho louco da banca de revista, o motorista do táxi, todo mundo sabe/pode comentar alguma coisa sobre esportes/futebol. Essa popularidade que deveria ser um ponto positivo acaba se tornando um aspecto negativo para o jornalismo esportivo.

Existe aquela convenção coletiva entre os chefões das redações que jornalista de esporte é aquele cara que só sabe falar de esportes. E que só é manchete o hardnews: "Flamengo vence com show de Adriano"; "Phelps fatura seu nono ouro em Pequim"; "Ronaldo marca e salva o Corinthians".

Num típico caso de estagnação jornalística. Nos tempos em que os figurões pensam em como fazer um jornalismo diferente para não repetir o que a internet já bombou no dia anterior, os homens da capa fazem com o esporte exatamente o que condenam: repetem o que a internet já bombou no dia anterior.

E aí o trabalho do repórter, de trazer uma informação a mais, de evitar cair no erro que está ferindo mortalmente os jornais, é subaproveitado. Enquanto isso, a notícia sobre a leve queda na bolsa de Xangai ou o jornalismo declaratório e espiral da editoria de política são hiper valorizados.

Com Copa e Olimpíada a história vai mudar.

Essa mania de tentar fazer um 'jornal diferente' com uma equipe de repórteres formada só por focas (mais barata, portanto) ou gente que não é do ramo corre o risco de virar 'comida de leões'.

Um país que recebe eventos desse porte não precisa ter 'somente' atletas e estrutura no mais alto nível internacional. É preciso ter uma imprensa bem preparada. Caso contrário passaremos o vexame de ver alguns furos (para o bem e para o mal) sendo dados por repórteres estrangeiros.

Veja o caso da China e da África do Sul.

No primeiro, a imprensa é controlada, então só foram veiculadas na mídia chinesa as notícias que o governo de Hu Jintao queria que o povo soubesse. Coube aos estrangeiros denunciar que a pequena cantante da cerimônia de abertura estava dublando e que a dona da bela voz havia sido barrada porque não se encaixava nos padrões estéticos que o governo chinês gostaria de passar.

Na África, não se vê notícias de desvio de verba ou superfaturamento de obras. Volta e meia vem à tona as greves dos trabalhadores e o atraso nas obras. Bom, para mim uma coisa está ligada à outra. Mas estabeleceu-se uma regra no país de que é anti-nacionalista falar mal da Copa do Mundo. Pelos mesmos motivos do Brasil: "Vai ser bom pra o povo africano, vai trazer desenvolvimento, finalmente".

Quando a imprensa internacional desembarcar em peso na terra de Mandela, vamos ver, ler e ouvir muitas histórias que foram abafadas pela mídia local. Falo isso porque passei o mês de julho inteiro lá e vi algumas coisas. Mas não tinha onde publicar...

Agora, na condição de jornalista de esporte, é preciso também fazer um mea-culpa.

Muitas editorias de esportes são um antro de acomodados. Torcedores travestidos de chefes que teoricamente teriam experiência para fazer um jornal diário. Gente que não consegue enxergar um palmo além do que lhe é oferecido como discurso oficial. Gente que se sente mais importante do que a própria notícia. De opiniões arcaicas. Que se trancam em seu sarcófago e fazem ali a próxima edição. Com ideias de 25 anos atrás. Que fazem um jornal de acordo com suas impressões pessoais. Que vê, nos colegas de repartição, concorrentes e não parceiros dispostos a fazer uma edição melhor. Que vão morrer acreditando que ninguém nunca fez nada melhor do que ele pôde pensar algum dia...

Se esse tipo de gente ainda estiver dando as cartas atééééé 2016, então, amigo velho, sinal de que o jornalismo esportivo não vai ter dado nenhum passo à frente em sete anos.

29 Setembro 2009

Direto do túnel do tempo

Por Daniel Brito

Lá se vão 10 anos desde a primeira vez que minha carteira de trabalho foi assinada como jornalista profissional. A verdade verdadeira é que eu tinha o registro de locutor entrevistador mas podia atuar como repórter e apresentador de TV.

Foi na TV Borborema, afiliada do SBT na pequenina porém heróica Campina Grande. A emissora foi fundada por Assis Chateuabriand depois de trazer a TV para o Brasil e instalar a Tupi no RJ e SP. Como paraibano, Chatô se sentiu na obrigação de atender seu estado de origem e abriu a TV Borborema. Como o estado era ainda mais pobre do que é hoje, levou uns aparelhos e distribuiu entre as autoridades locais.

Isso foi entre a década de 1950 e 1960. Minha chegada na TV se deu trinta ou quarenta anos após a inauguração. Aliás, a maneira como entrei no quadro de funcionários foi motivo de revolta da classe jornalística campinense.

Meu pai era diretor dos Diários Associados na Paraíba e eu havia decidido, sete anos antes, quando ainda morava em Brasília, que gostaria de ser jornalista. Assim como ele. Iniciei devagarzinho na emissora de rádio, da qual ele também era diretor.

Até passar no vestibular e me mudar para Campina Grande. Os jornalistas de Campina Grande tinham uma certa razão em reclamar. Afinal eu tinha 18 anos, voz fina e jeito de adolescente. A TV carecia de repórteres (carece até hoje. Mais do que isso, inclusive) e, segundo os críticos, havia gente desempregada por minha causa.

Comecei nas reportagens para esportes. Sem nenhuma orientação ou indicação de como deveria ser feito ou deixado de fazer. Apenas alguns toques de que palavra incluir no texto ou como segurar o microfone. Havia muita boa vontade em ajudar, aquela ajuda informal, mas o temor por eu ser filho do diretor impedia as pessoas de me criticarem diretamente.

Às vezes, um comentário ali, uma opiniãozinha mais ácida ali, uma breve reprimenda acolá eram suficientes para que eu assimilasse algumas coisas. Neide Nascimento, Agnásio, Batatinha, Hoberdan, Wilton, Da Silva foram grandes mestres.

Comecei fazendo matéria de futebol, naquele feijão-com-arroz básico de Treze e Campinense. Aos poucos, fui buscando outros assuntos. Por falta de estrutura, virei repórter de cidades, se é que existe essa editoria em emissoras de TV na Paraíba. Com o tempo, virei quase animador de palco em programa sobre carnaval. O meu senso do ridículo evitou que eu partisse para coisas piores...

Dez anos depois, vejo com um misto de saudade, orgulho e vergonha de tudo que passei no jornalismo em Campina Grande. Vergonha porque eu era um cara recém-saído da adolescência com a responsabilidade de falar para muita gente, porque a emissora tinha um grande alcance na região, mas eu pensava que estava fazendo um vídeo para a TV da universidade ou qualquer outra coisa menos importantes. Talvez pelo mesmo motivo eu sinta saudade, porque não sabia da responsa e era feliz com minhas invenções. É aquela história do 'Só sei que nada sei'.

Se você for hoje a Campina e perguntar aos jornalistas que já estavam na ativa entre 1999 e 2002 sobre mim, eles vão rir da minha cara ou até mesmo me ridicularizar.

Com os olhos marejados, deixei a TV Borborema na tarde de 20 de novembro de 2002.

Por mais que tenha trabalho em alguns dos maiores jornais do país, tenha publicado textos no Globo, Estadão, Correio Braziliense, Estado de Minas, Diário de Pernambuco, tenha feito reportagens para Band e SBT, ainda tem gente que acredita eu só estou nessa por que meu pai era diretor da TV Borborema sete anos atrás.

O que é uma pena porque as pessoas não reconhecem que meu pai, em vez de me dar o peixe, me ensinou a pescar. Reconheço as baboseiras que possa ter feito nesse período de 10 anos desde 13 de setembro de 1999 e peço desculpas àqueles que por ventura eu possa ter ocupado o espaço na TV Borborema dez anos atrás.

Mas quero deixar registrado aqui que um dia eu volto. Para me redimir dos meus pecados...

19 Setembro 2009

Ombudsman informal

Por Léo Alves

A Folha de São Paulo mantém em seu quadro de funcionários um ombudsman. Segundo o jornal “o ombudsman tem mandato de um ano, renovável por mais dois. Não pode ser demitido durante o exercício da função e tem estabilidade por seis meses após deixá-la. Suas atribuições são criticar o jornal sob a perspectiva dos leitores, recebendo e verificando suas reclamações, e comentar, aos domingos, o noticiário dos meios de comunicação”.

Na pequenina e heróica Paraíba nenhum jornal tem ombudsman. Pelo menos eu não conheço. Os jornais são feitos à ótica dos editores. Existem os canais de comunicação com o leitor (em que pese sejam poucos utilizados ainda) para receber as críticas e sugestões, o que em alguns casos serve para mudar uma ou outra coisa no impresso.

Se os jornais não tem um profissional específico que possa comentar a postura do veículo em determinados assuntos sob a ótica do leitor que levem à reflexão e até mesmo mudanças, os impressos de Campina Grande contam com um ombudsman informal: o radialista, ou melhor, o âncora (ou os âncoras) dos radiojornais. Eles não são funcionários do jornal, mas são profissionais do meio jornalístico que diariamente comentam pelo menos as notícias de primeira página.

Há três meses o Diário da Borborema publicou na sua coluna Binóculo o tópico ‘Desrespeito’: “Tem coisas que só existem em Campina Grande. Tudo bem que a imprensa brasileira nunca foi unida. Mas, em nossa cidade chega a ser um desrespeito o que alguns companheiros que trabalham em rádio fazem com o pessoal do meio impresso. Ninguém tem o direito de macular a imagem de um jornal ou de um profissional, utilizando-se de um microfone só porque a matéria não lhe agradou. Corrigir no ar os erros alheios também não é muito ético”.

Não sei ao que (e a quem) se refere a crítica do jornal. Mas demonstra que o pessoal do impresso perdeu a paciência com os comentários dos colegas de rádio, que segundo a notícia tem o tom pejorativo.

Diariamente escuto os jornais no rádio campinense, que em sua maioria, se baseiam na leitura dos jornais do dia e de notícias da internet para levar as informações aos ouvintes. Como não existe equipe de produção nas rádios – salvo algumas exceções – o pessoal se vale do que já está pronto para conduzir um programa de cerca de três horas.

E mesmo se apropriando das notícias produzidas pelos impressos, na maioria das vezes os âncoras fazem comentários sobre as matérias. “Essa matéria a gente já trouxe ontem aqui no programa”, comentam. Uma constatação óbvia. O rádio tem como característica a instantaneidade. Tem por obrigação antecipar as notícias do jornal.

O grande problema é que muitas vezes os comentários tentam ridicularizar e até colocar em xeque a credibilidade do jornalista que escreveu a matéria.

Quando o rádio passa a noticiar a maioria das matérias que estão nos jornais há uma inversão. O detalhe é que o pessoal lê na íntegra a matéria do jornal, quando todo jornalista sabe que a linguagem do impresso é diferente do rádio. Não existe o famoso script (existem exceções, repito). Mas essa foi a solução encontrada pelos jornalistas para manter os programas no ar. O problema está na estrutura das equipes de jornalismo das rádios. Isso é assunto para o próximo post.

12 Setembro 2009

Restrições na internet

Léo Alves

Primeiro foi a Folha de São Paulo. Agora a Rede Globo também criou limites para seus profissionais em relação a blogs e ao Twitter. A liberdade de falar de assuntos que não podiam ser expostos nos dois veículos passa a ter limitações. Os dois textos abaixo foram publicados no site Comunique-se (http://www.comuniquese.com.br/):

Folha cria regras para jornalistas usarem Twitter e blogs
Izabela Vasconcelos, de São Paulo

O jornal Folha de S.Paulo anunciou em comunicado interno, que os jornalistas e colunistas do veículo devem seguir algumas regras ao usar redes sociais, como Twitter e blogs. A recomendação, assinada pela editoria executiva, é que os profissionais não assumam opiniões partidárias, sobre qualquer candidato ou campanha, e também veda a publicação de conteúdo exclusivo, acessível apenas para assinantes do jornal.

Os jornalistas que quiserem citar alguma matéria exclusiva poderão fazer referência ao material, publicando o link para o acesso do conteúdo na íntegra. “Não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL. Eventualmente blogs podem fazer rápida menção para texto publicado no jornal, com remissão para a versão eletrônica da Folha”, explica o texto.

Um dos jornalistas da Folha aguardava pela decisão. “Já sabia que iriam fazer isso. Tinha muita gente abusando. Você não pode emitir opinião de uma matéria que você cobriu”, declarou.

Outro profissional do veículo também esperava esse tipo de orientação do jornal. “Esperava que adotassem uma medida nesse sentido, principalmente pelo direito autoral. A decisão não mudou em nada meu procedimento no Twitter. Eu não faço nada no Twitter que eu não faria na Folha”, revelou o jornalista, que acredita que o conteúdo exclusivo deveria ser liberado. “Seria bem mais proveitoso, mas essa é outra questão”.

Apesar de defender as orientações do jornal, o profissional afirmou que o veículo é rigoroso em relação à imagem dos jornalistas do grupo. “Excedem no rigor, tudo tem que pedir autorização, para entrevistas, palestras, enfim...".

TV Globo restringe uso de blogs,Twitter e outras redes sociais
Da Redação

A TV Globo divulgou um comunicado interno na noite desta quinta-feira (10/09), em que restringe o uso de blogs e redes sociais pelos seus contratados. A medida atinge tanto artistas, como jornalistas e outros profissionais da emissora.

“A divulgação e ou comentários sobre temas/informações direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à Rede Globo; ao mercado de mídia e ao nosso ambiente regulatório, ou qualquer outra informação/conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Rede Globo são vedados, independentemente da plataforma adotada, salvo expressamente autorizada pela empresa”, informa o comunicado.

A Globo também exige autorização prévia para que os contratados possam ter blogs, Twitter e outras redes sociais vinculados a outros veículos de comunicação. “A hospedagem em Portais ou outros sites, bem como a associação do nome, imagem ou voz dos contratados da Rede Globo a quaisquer veículos de comunicação que explorem as mídias sociais, ainda que o conteúdo disponibilizado seja pessoal, só poderá acontecer com prévia autorização formal da empresa”.

A decisão gerou repercussão, mas até o momento somente artistas da emissora se manifestaram. A atriz Fernanda Paes Leme reclamou.“Não existe Arte sem liberdade de expressão!!”. “Blog, twitter ajudam o público a conhecer o artista por trás do personagem... eu vou continuar por AQUI!". Jornalistas procurados pelo Comunique-se informaram que ainda não haviam recebido o comunicado.

Apesar das restrições citadas, a Central Globo de Comunicação informou que não veda qualquer plataforma para o uso pessoal, mas que as ferramentas devem se limitar a isso. “A presença individual e particular dos nossos contratados deve se restringir, se desejada, exatamente a este universo, estando totalmente desvinculada da atuação na Rede Globo, nem tampouco associados a outros veículos de comunicação. Se essa separação clara não puder ser estabelecida, o uso dessas mídias fica inviabilizado”.

A emissora carioca alega que a medida tem o objetivo proteger seus “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.

05 Setembro 2009

Experiência profissional

Por Léo Alves

Um profissional está na empresa há cinco anos. Nesse tempo desenvolveu atividades em diversas áreas, mudou de função, cresceu. Outro profissional está na mesma empresa há 15 anos. Porém fazendo a mesma coisa desde o dia em que chegou. Quem tem mais experiência?

Uma das definições de experiência profissional é “a bagagem de conhecimentos sobre uma profissão que alguém acumulou durante o tempo em que exerceu a profissão escolhida”. Fica claro que o primeiro exemplo é o mais experiente.

Mas o que se observa entre os profissionais é a confusão entre experiência e tempo de serviço. Para a maioria dos veteranos, experiência é tempo de serviço. Se não houver uma constante atualização o tempo de serviço só vai contar no FGTS.

No jornalismo não é diferente. É fácil escutar profissionais criticarem os jovens (muitas vezes mais capacitados e atualizados) pelo fato de eles não estarem há muito anos no batente. “Esse fulano chegou agora e pensa que sabe de alguma coisa”, resmungam.

A resistência aumenta ainda mais quando o novato tenta inovar. “Eu já faço isso há 20 anos desse jeito. Não tem lógica você que chegou agora querer mudar”, justificam os veteranos com a prepotência de quem se sente o dono da verdade.

O fazer jornalismo mudou, está mudando e vai continuar em constante transformação. Há duas semanas assisti a uma reportagem do hoje Ministro das Comunicações, Hélio Costa, feita da década de 70. Era sobre o “menino bolha”, dos EUA. Logo em seguida vi reportagens de décadas mais recentes. Uma linha do tempo que mostra a evolução da reportagem na televisão.

É preciso entender que com as novas tecnologias o público mudou. O profissional que não acompanhar essas mudanças e tendências se torna obsoleto. E como tem gente antiquada, retrógrada e arcaica nas redações achando que a forma de fazer jornalismo é a mesma de décadas atrás.

O interessante é que muitos veteranos tentam desqualificar o trabalho dos mais jovens afirmando que alguém só se torna um bom profissional depois de anos de trabalho. As redações tem muitos jovens talentosos. Talento não tem a ver com tempo de serviço. Os anos ajudam a desenvolver o talento, o que leva naturalmente a um crescimento profissional. Talvez seja por isso que há uma renovação nas redações.

Por coincidência, antes de começar a escrever este post deu uma passeada por vários sites. Num de João Pessoa, de Anco Márcio (ancomarcio.com) encontrei um tópico do autor que dizia: “Mesmo que você esteja há muito tempo no ar, nunca pense que está fazendo tudo certo e que todo mundo está gostando. Tudo na vida tem de ser reciclado, mudado, atualizado. Se parar,dança”. É a mais pura realidade.

Em tempo: não sou nenhum novato na profissão. Estou mais para um veterano que tenta (eu disse tenta) se manter atualizado.