15 Fevereiro 2012

A estreia de um novo blog


Como estamos na lista de blogs do jornal O Imparcial, faz bem divulgar os parceiros. Hoje, mais um blog nasceu por lá. "O Mundo é Meu" escreverá sobre Turismo. A editora de Turismo, Rafaela Lima, será titular da página. E já anunciou promoção e uma viagem (a convite do Governo de Pernambuco) para cobrir o carnaval por lá.

Aproveitando o ensejo, gostaria de abrir um debate com uma pergunta:

O que acha de coberturas de turismo com viagens pagas pelo interessado, afim de produzir matérias, programas ou até cadernos especiais?

Opine, compartilhe, cutuque.

14 Fevereiro 2012

O jornalismo, por Hunter S. Thompson

Fiz algumas amizades interessantes, ganhei dinheiro suficiente para me virar e aprendi muitas coisas sobre o mundo que nunca poderia ter aprendido de outra forma.


Como a maioria dos outros, eu procurava alguma coisa, vivia em movimento, nunca estava satisfeito e, às vezes, me metia nas mais imbecis enrascadas. Nunca ficava parado por tempo suficiente para me dar ao luxo de pensar, mas, de algum modo, sentia que meus instintos estavam certos. Compartilhava uma espécie difusa de otimismo que dizia que alguns de nós estavam realmente progredindo, que estávamos num caminho honesto, e que os melhores dentre nós inevitavelmente chegariam ao topo.


Ao mesmo tempo, nutria suspeitas melancólicas de que a vida que levávamos era uma causa perdida, que não passávamos de atores, enganando a nós mesmos numa odisseia sem sentido. Era a tensão entre esses dois pontos -- um idealismo incansável e uma sensação de catástrofe iminente -- que me dava forças para seguir adiante.

Trecho do livro "Rum: Diário de Um Jornalista Bêbado", de Hunter S. Thompson

09 Fevereiro 2011

O Filho está crescendo

Léo Alves

Antes de qualquer coisa é preciso dizer que este post sai com mais de dois meses de atraso. Porém a correria normal de fim de ano e o surgimento de temas mais interessantes o fizeram ser relegado até esta data.

No dia 24 de novembro de 2005 Daniel Brito escreveu:

“Esta é a primeira mensagem do blog "Filhos da Pauta". Criado por Daniel Brito e Leonardo Alves, este espaço tem como objetivo contar um pouco do cotidiano de duas redações totalmente diferentes. Daniel é repórter de esportes do Correio Braziliense, em Brasília. Leonardo é repórter da TV Paraíba, em Campina Grande. Ambos contarão aqui o que viram, o que fizeram, e o que farão em seus "expedientes", se é que jornalista pode ter expediente.

Além disso, a dupla postará textos, comentários e reportagens interessantes. Não vai ser fácil manter este espaço atualizado. Então, boa sorte para nós dois...”

No dia seguinte escrevi meu post de estreia anunciando o primeiro assunto a ser abordado neste humilde espaço:

“Como disse Daniel, não será fácil manter o blog atualizado. Esse é o nosso desafio. Quem é jornalista sabe da correria que é ter que fechar os textos, produzir os VT' s. Mas dentro do possível tentaremos socializar nossas experiências do cotidiano. Procuraremos contar como foram produzidas algumas de nossas reportagens, postura adotada, direcionamento e, é claro, as dificuldades e conquistas que envolvem a produção de uma matéria. É claro que alguns momentos do trabalho é preciso ter sorte. Como aconteceu com Daniel, quando voltava da viagem de férias da Espanha e no seu vôo estava Carlos Alberto Parreira, técnico da Seleção Brasileira. DB se 'esqueceu' que estava de férias e conseguiu uma exclusiva com o treinador. A entrevista foi capa do Correio Braziliense de quarta-feira. A história da entrevista quem vai contar é o próprio DB. Não podia ter uma história melhor para abrir o nosso blog.”

Desde a sua criação o Filhos da Pauta não teve grandes pretensões. Não pretendia – como ainda não pretende – ser uma referência no jornalismo. Como já escrevemos outras vezes aqui não somos os donos da verdade. Longe disso.

Desde 2005, muita coisa mudou. Daniel não está mais no Correio Braziliense. No intervalo de cinco anos esteve no Jornal da Tarde, Assessoria do Comitê Paraolímpico, voltou para trabalhar no caderno Cidades do Correio (onde ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo) até aportar na Folha de São Paulo.

Eu, no caso, quando comecei a escrever no FDP era repórter. Depois passei a Chefe de Produção, Editor, Editor Assistente do Globo Esporte, sai e voltei para a UEPB, até que em 2009 quase tive um infarto (eu sei que não existe ‘quase infarto’, mas é um sentido figurativo) pelo excesso de trabalho. Abri mão da editoria de esportes. Fui aprovado num mestrado. Saí da TV Paraíba em abril do ano passado e da UEPB em dezembro. Agora, estou prestes a fazer uma nova seleção para a UEPB e participo como repórter das transmissões esportivas da Rádio Cariri. Aliás função na qual iniciei minha carreira.

Mesmo com tantas reviravoltas profissionais, o blog se manteve no ar. E o melhor ganhou o reforço de Pedro Henrique Freire e Mário Coelho, que por ociosidade teve o nome excluído inadvertidamente do quadro de colaboradores.

Mas Mário Coelho vez por outra tem dado sua contribuição, assim como já fizeram Jurani Clementino, João Paulo Medeiros e outros que permitiram publicações de suas colunas no blog.

Durante estes cinco anos, os leitores mudaram. Pouca gente que era assíduo no início nem sequer acessa mais o blog. Por outro lado, apareceram 50 seguidores. Número até considerável para quem – como disse – não tinha grandes pretensões.

E sem ambições o Filhos da Pauta ganhou seu espaço. Hoje faz parte da lista de blogs do Jornal O Imparcial do Maranhão com a seguinte descrição: Jornalistas do Maranhão, Brasilia, Paraíba e São Paulo debatem os rumos da profissão.

Para quem não queria muito, foi até longe ao ser citado por um dos mais respeitados jornalistas do país. Ricardo Noblat escreveu em 6 de janeiro de 2008:

"Filhos da Pauta é um blog atualizado por três jornalistas em plena atividade. Nele, contam histórias que provocam discussões em torno da visão do Jornalismo sob o ângulo dos próprios jornalistas. Sugiro diariamente sites, blogs e fotologs que valham a pena ser acessados. Esses passarão a fazer parte da seção aí acima, do lado esquerdo, chamada 'Vale a pena acessar'".

Hoje o blog não é atualizado como antes. Uma tendência própria dessa ferramenta. O twitter tem tomado muito tempo. Mesmo assim o Filhos da Pauta vai continuar no ar trazendo histórias e discussões acerca da profissão. Por muito tempo.

01 Fevereiro 2011

Vem ai o The Daily

Pedro Henrique Freire

O magnata da comunicação Robert Murdoch apresenta amanhã o seu mais novo sonho: The Daily. Um jornal feito exclusivamente para Ipad - a menina dos olhos de Steve Jobs. Murdoch gastou 30 milhões de dólares no projeto. Tudo para apresentar, segundo ele, "uma verdadeira mudança na apresentação de notícias".

A plataforma do The Daily, claro, é multimídia. Será um jornal diário, mas terá vídeos, gráficos, podcasts, além de textos e fotos. E abordará notícias, principalmente, de cultura e entretenimento. Ou seja, um portal de notícias para Ipad. É isso?

Precipitado fazer análises antes de analisar o que trará o The Daily - dono de uma redação "modesta" com cerca de 120 pessoas. O trunfo de Murdoch é usar outras plataformas da News Corp - dona do Wall Street Journal, entre outros - para capilarizar a atuação do The Daily.

Não me furto a provocar dúvidas.

É um jornal diário?

Com textos, vídeos, áudios e fotos?

Em tempo real ou com apenas uma atualização diária?

Se for tudo isso acima, no que se diferencia o The Daily de portais de internet, por exemplo?

A aposta é na popularização do Ipad e no exclusivo conteúdo editorial. O crescimento do The Daily dependerá disso. Caso contrário, o sonho de Murdoch vai lhe tirar os 30 milhões sem trazer muito.

30 Janeiro 2011

O mal no jornalismo

Léo Alves

O post de aniversário de cinco anos – que está atrasado dois meses - deste humilde blog como gosta de dizer o grande DB vai esperar um pouco mais. Esta semana a jornalista Cláudia Carvalho escreveu uma coluna no www.parlamentopb.com.br que nos faz refletir acerca de uma prática que se tornou comum no jornalismo paraibano e coloca em xeque a credibilidade da profissão Estado. Com a devida autorização de Cláudia, O Filhos da Pauta reproduz abaixo a coluna.

Síndrome de Estocolmo
Cláudia Carvalho*

Na Paraíba há um adágio que diz: você vale pelo mal que pode causar.
De adágio, virou estilo de vida. Rentável e eficiente, tornou-se lema para muitos que militam na imprensa do Estado. Igual a rastilho de pólvora, a fórmula contagiou muitos que nem tinham aptidão ou formação para a comunicação e nem sabiam qual sua destinação. Mas, isso também pouco importa. Basta repetir alfinetadas, ataques, chacotas, ameaças e constrangimentos até que a vítima peça arrego e abra a carteira.

Sem romantismo, essa prática não é minoritária no jornalismo paraibano. Ela se disseminou e virou sinônimo de prosperidade, prestígio e, claro, poder.
Até aí, não está tudo bem, mas é compreensível que a tática ofensiva, uma vez gerando resultados, seja repetida à exaustão por quem não tem muitos pudores. O que chama a atenção é a reação despertada nos "alvos".

A psicologia, desde a década de 70, chamou o estranho fenômeno em que a vítima desenvolve simpatia por seu algoz de "síndrome de Estocolmo", numa referência a um famoso assalto a banco ocorrido em 1973 e no qual os reféns defendiam seus captores.
Muito longe de Estocolmo e no calor dos trópicos, muitos paraibanos de estirpe se apalermaram com seus algozes. Ao mesmo tempo que reclamam, também dão Ibope, citam, repercutem e valorizam justamente quem lhes ataca.

Questão de gosto ou falta de gosto não se discute, já dizia outro sábio provérbio. Mas, eis que surge um complicador: apesar de nem todo mundo ser vilão na estória, acaba sendo enquadrado na generalidade e topando com as pechas vis que levam à vala comum.

Causar o mal é deleite para quem gosta dele. Quero estar longe perseguindo uma utopia que ensinaram na faculdade que teimei frequentar para ter direito a um diploma cujo valor expirou numa cacetada vingativa do STF. Mas, o que vale não é o papel. É um sentimento, a vontade de acertar e de ainda teimar em querer fazer o certo mesmo que ao redor digam que essa preocupação é típica dos fracos. E haja fraqueza para reagir, devolver as bordoadas e não quedar diante da tentação de aderir ao modus operandi da estação.

Deve ter sido em meio a uma crise deste naipe que Renato Russo concebeu os célebres versos de "Há tempos" que dizem: "Compaixão é fortaleza.
Ter bondade é ter coragem".

Renato não era mais um na multidão. Não ficou rico nem dominou o mundo, mas continua sendo respeitado. É uma boa marca.

*Cláudia Carvalho é radialista e jornalista premiada, com especialização em Jornalismo Cultural. Pioneira no webjornalismo da Paraíba, é apresentadora da Rádio 101 FM e mantém o blog Parem as Máquinas!

20 Janeiro 2011

Um jornal de 4 milhões de leitores


Pedro Henrique Freire

O mundo discute alternativas ao jornalismo impresso. Está ficando até chato falar da sobreposição de tablets e e-reads ao papel. O imediatismo do ser humano chega a considerar palpável a mudança de modelo. Rápido assim?

Jornais são diferentes em diversas partes do mundo. Impressos no Brasil detêm características completamente distintas de jornais da Europa, que se diferenciam dos da Ásia e também daqueles que circulam na América do Norte... etc.

Fazer jornal que supere expectativas depende, principalmente, de conhecimento social e econômico da localidade de atuação. Não fosse assim, uma fórmula bem sucedida bastaria para levar jornais em todas as partes de nosso planeta azul ao sucesso absoluto, agradando leitores e pagando os altos custos da produção jornalística.

Alguém ai conhece o Times Of Índia (olha ele ai do lado)? Eu não conhecia. Mas li algo sobre ele esses dias que me intrigou. Circula com quatro milhões de exemplares por dia (isso mesmo!), é barato (preço equivale a R$ 0,10) e full color. Algo diferente de alguns jornais brasileiros além da tiragem? Suponho que não.

Se em países ricos se gasta tanto pra encontrar maneiras de manter jornais (ou ao menos suas marcas) vivos, por que a emergente Índia consegue vender quatro milhões de exemplares por dia apenas fazendo um jornal colorido e de qualidade?

É preciso analisar o país...

...socialmente: a Índia reúne várias culturas. O singelo estranhamento social é cotidiano. O Times Of Índia procura reunir diversos pontos de vista das múltiplas culturas, publica matérias de serviço e utilidade pública e reivindica para si o papel social de unir os povos em campanhas voluntariosas. Ou seja, o conteúdo é altamente identificado com a sociedade.

...economicamente: apenas 20% da população da Índia acessa a internet. Ipad lá, portanto, não é algo que apeteça a grande classe a ponto de contestarem a existência de jornais impressos. o Times sabe como ganhar dinheiro. Ele permite que empresas paguem anúncios com ações na Bolsa. Usa seu papel para especular.

O sucesso, portanto, não é em vão. O Times Of Índia sabe como e para quem vender jornal. O processo tem começo, meio e fim. E entende a organização econômica na qual está inserida.

Ele se identifica com o leitor.

06 Dezembro 2010

Sempre a imparcialidade 2

Por Léo Alves

Num post anterior falei sobre o caso do Estadão que suscitou o debate sobre a imparcialidade jornalística. Saindo dos exemplos nacionais, nos concentremos na pequenina e heróica Paraíba. Na terra de Assis Chateaubriand os jornais e tevês apóiam projetos políticos de candidatos. É a moeda de troca. Apoio garante bons contratos de publicidade no futuro. É incrível como esse pessoal ainda acha que o leitor/telespectador/ouvinte é burro.

Basta dar uma olhada nas colunas políticas dos jornais locais para perceber o lado de cada um. A Paraíba se divide entre os que se intitulam Cassistas (apóiam o ex-governador Cássio Cunha Lima, eleito para o Senado e barrado pela ficha limpa) e Maranhistas (os do lado do ainda governador José Maranhão).

Descobrir o comprometimento político dos colunistas e editores de política não é difícil. No caderno de política de um dos impressos uma expressão é frequente e revela a tendência pró Cunha Lima: “o senador de mais de um milhão de votos”. Precisa de mais alguma coisa? Quando escreve algo sobre José Maranhão é crítica.

O mesmo jornal mostra sua preferência ao insistir que Cássio irá assumir o senado. A candidatura dele foi indeferida e o caso está no TSE. Não que o assunto não seja notícia. O problema está na forma de escrever, demasiadamente apaixonada.

Em outro jornal, a editoria de política nunca foi capaz (pelo menos nunca li) de fazer um elogio a gestão de Cássio, que passou seis anos no governo. Qualquer ação, por melhor que fosse, era anunciada acompanhada de críticas. Muitas delas sem fundamento, que revelavam a insatisfação de quem durante muitos anos do governo Maranhão foi contemplado com gordos contra cheques. Na maioria das vezes sem aparecer na repartição pra cumprir expediente.

Se durante seis anos esses profissionais criticaram a gestão Cunha Lima, nos últimos vinte meses a postura foi bem diferente depois que Maranhão voltou ao poder. Cássio foi cassado pelo TSE. Elogios e mais elogios ao governo com o intuito de convencer a população da boa administração e ajudar na reeleição.

Maranhão não foi reeleito. A aliança de Cássio com Ricardo Coutinho (ex-prefeito de João Pessoa) saiu vitoriosa. Para muitos colegas de imprensa a vitória representa a garantia de um bom salário na nova/velha gestão. Os perdedores buscam uma relocação no mercado da política.

Não deveria ser assim. Infelizmente é. No estado, 46% (segundo o colega Josusmar Barbosa) dos empregados estão no setor público. E uma parcela desse percentual é formada por jornalistas. Infelizmente, de novo. Daí não dá pra pensar em imparcialidade. E essa certamente é uma das razões que na Paraíba as eleições nunca acabam. As conjecturas políticas para as eleições municipais de 2012 já tomam conta do noticiário político. Muita gente querendo garantir uma ‘boquinha’ na máquina pública.